O que há de errado em chupar um pirulito? – Os boçais estão vencendo

chupar-um-pirulitoVenho hoje compartilhar o relato de uma amiga minha, que estuda em uma das maiores universidades do país.

Em uma bela dessas noites ela, acadêmica de Direito, comprou um pirulito na cantina da universidade e sentou-se em um dos banquinhos da instituição enquanto lia um livro. Fez aquilo sem pressa, por pouco mais do que 20 minutos. Leu e chupou o pirulito de morango, sem trocar olhares ou ao menos perceber o mundo ao redor. Ela tinha uma prova chegando e queria estar preparada.

Não há nada de errado nisso, não é?

Pois bem! Eu também não acho. Mas a história que a minha amiga compartilhou comigo me deixou um tanto quanto enojado perturbado intrigado. Na mesma noite, após a aula enquanto e antes de ir até ao ônibus pra ir pra casa e ter o merecido momento de repouso, ela comprou mais um pirulito de morango. E lá foi ela, caminhando, mexendo em seu celular e caminhando até o ponto de ônibus (o qual fica dentro da universidade).

Logo, ela começou a receber repetidas mensagens de um número anônimo, as quais eram ‘elogios’ que para ela soavam mais como ameaças. Elogios, é claro, eram na concepção daquele emissor das mensagens. Começou com um simples “oi” que ela logo respondeu com “oi, quem é?” e ele logo respondeu: “alguém que está te vendo chupar um pirulito, mas preferia estar vendo você […]” prefiro, de verdade, não expor o inteiro teor da mensagem.

Basicamente, ela passou a receber várias mensagens e até fotos bastante inconvenientes daquele indivíduo, o qual ela sequer sabe como conseguiu o número dela. Ela olhou em volta, mas havia pelo menos uma dúzia de caras mexendo em seus celulares e pelo menos uns cinco que olhavam para ela constantemente. Por quê? Ah, sim: Ela estava chupando um pirulito. Ela não tinha ninguém para acusar, mas mesmo assim alguém sentia a liberdade de agredi-la (sim, agredi-la) uma vez que ela não consentiu com as mensagens e nem mesmo com a intenção do emissor das mesmas.

Conversamos a respeito e mais uma vez agradeci por não ser uma mulher nesse mundo. Que diabos há de errado em chupar um pirulito? As mulheres perderam até mesmo o direito de comer doces em face da fixação oral de uma sociedade depravada? As mensagens, dentre fotos obscenas e um conteúdo horripilante (o qual repito: melhor não abordar aqui) duraram dois dias, nos quais ela não respondeu em momento algum e logo cessaram.

Mesmo assim, algo dentro dela havia mudado. Era como se tivessem lhe roubado a inocência de algo corriqueiro e que ela gostava de fazer, como se estivessem (perdoem pelo trocadilho) tirando doce da boca de uma criança. Pelos próximos cinco ou dez dias, ela permaneceu constantemente alerta e receosa com as pessoas que falavam com ela. Não chupou mais pirulito algum, com medo de ser mal interpretada por algum boçal com poucos neurônios funcionais.

Pois é. E ela nem gosta de homens.

Agora também não gosta de pirulitos.

Os boçais estão vencendo.

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