Enquanto o mundo definha…

Não resta nada mais a se fazer. Trabalhamos para construir um mundo melhor, mas a pressão é inesgotável e inacabável. Os maus são maioria e seu maior sacrilégio é considerarem a si próprios como ‘bons’. Nem mesmo sabemos nosso lugar no mundo, enquanto ele definha e torna-se cada dia mais obscuros. Os postes de luz são insuficientes para clarear a noite, assim como o próprio brilho da lua. As noites frias são mais frias do que podemos suportar e as tardes quentes são sempre mais quentes que as do dia anterior.

Quando há a inesgotável pressão em tentarmos cumprir aquilo que fomos destinados a fazer nesse mundo, ou se desiste da vida ou se desiste de sua missão. Então você encontra outras distrações. Um trabalho que deixa sua conta cheia, enquanto você vira um acumulador de números e cifras na sua conta bancária. Veneramos o deus do dinheiro, acima de qualquer outro deus – e até os ateus passam a venerá-lo. Esquecemos da nossa humanidade. Esquecemos de nos importar com os outros. Esquecemos até de nos importarmos com nós mesmos. Deixamos as coisas importantes pra amanhã e então para depois de amanhã e então para depois de depois de amanhã, como se tivéssemos algo mais importante para fazer do que cumprirmos nossos destinos.

Todos os times perdem, todas as bandas só tocam acordes arranhados, todos os desenhistas desenham joão-palitos e todos os escritores só escrevem garranchos incompreensíveis até para eles mesmos. Ninguém cumpre verdadeiramente aquilo que foi posto no mundo para fazer. Todas as notícias que vemos ocupando as páginas dos jornais são desoladoras ou desinteressantes para o mundo. Sempre que recebemos notícias de um amigo antigo são notícias de doença ou morte.

E assim, tudo se torna desinteressante, vazio, inócuo. Tudo parece derreter e você esquece até mesmo de quem você é. Se entope de remédios, bebidas, cigarros, drogas. Se ocupa com qualquer coisa que possa – mesmo que seja por um minuto – lhe esquecer que o mundo definha ao nosso redor. As ruas tem cheiro de carne podre – mas parece que é só você que sente. Não é! Mas assim como todos os outros você finge não sentir aquele fedor insuportável.

Sem perceber, morre em vida. Sem perceber, todos nos acompanhamos rumo à destruição.

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