Do “E agora?” e de outros sentimentos

Se você já leu outros posts aqui no blog deve ter percebido que a maior parte deles tenta lhe dizer algo… Sobre como você deve amar a si mesmo e sobre o jeito que você se fascina quando consegue amar outra pessoa igualmente. Sobre como você precisa às vezes mudar e se sujeitar a sacrifícios em prol de alguém quando você se depara com algo maior do que você. Enfim, se você lê esse blog há algum tempo, você já ouviu todas essas coisas de modos diferentes e em diferentes contextos.

Bem, quero confessar que não tenho seguido meus próprios conselhos. São a fórmula mágica, não são? Todos os textos, todas as palavras… Parece uma receita de bolo, mas quando você vai fazer o bolo ele nunca fica tão bom quanto na caixinha.

Sempre tive boas noções sobre quem eu sou. Sempre tive um elo muito forte com minha essência. Nos últimos tempos, eu os perdi por inteiro. E sim, por outra pessoa. Por amor. Basicamente eu deixei de construir a minha vida. Passei a desenhar uma vida a dois. Uma bela vida maravilhosa e que… Agora sai de planos. E daí eu volto a pensar nos planos que tinha para mim, mas a última vez que pensei somente em mim foi há quase três anos. Sim, os desejos que eu tinha para mim aos 22 anos não se sustentam mais.

E agora, amigos, me sinto em meio a um borbulhão de imprecisões sobre mim mesmo. Deixei de me conhecer. Me perdi em meio ao desejo de ter uma vida há dois. Agradeço aos céus por ter descoberto parte da verdade em tempo suficiente. E me sinto relativamente bem quanto a tudo isso, mas a questão que fica agora é… E EU? Sim, me perdi por completo. E ler os textos antigos não contribui nem um pouco para eu me encontrar. Sabe o motivo? Eu simplesmente mudei demais nesses tempos. Não sou mais a mesma pessoa. Não reajo mais do mesmo jeito. Gostaria inclusive de ter sido pior do que eu fui, mas paro pra pensar que isso só me levaria às ruínas.

E como se conhecer de novo? Nem sei mais onde eu gosto de ir, nem o que eu gosto de fazer. Tudo era feito há dois. E sabe qual a parte mais engraçada? Eu passei exatamente pela mesma coisa há anos atrás. Dessa vez, tenho bases sólidas e não preciso me reconstruir por inteiro. Mesmo assim, resta aquele pensamento que me vem às vezes: “FODEU. E AGORA?”.

Sim, fodeu. Fodeu bonito. Mas e aí?

Se eu não sinto a mesma necessidade de me vingar instantaneamente me afogando em um mar de vaginas, álcool, e tudo que há de bom nessa vida e eu também não sinto a necessidade de fazer nada do que eu fiz naquela época pra superar uma experiência traumática, o que fazer? Bem, fodeu, você construiu a sua vida ao redor de alguém. E perde a namorada, amor, melhor amiga e todos os adjetivos de uma vez só. E isso te rasga por dentro, se você passou por algo parecido. Você vai ao espelho e diz: “E agora, quem é você?”.

Bem… E agora?

Agora você perdeu algo importante dentro de você, algo que você não irá recuperar tão cedo. Mas o perder é relativo. Um parasita ou um câncer que deixa de te acometer não pode ser considerado uma ‘perda’. E se você nem sabe o que perdeu, você realmente perdeu algo? Minhas perdas se resumem a isso: Em algum momento, de alguma forma, eu me perdi em meio a um mar de ilusões e precipitações.

E aí?

E aí?

E aí? O que acontece?

Realmente parei por alguns minutos pensando em um fim para esse texto e em responder essas incontáveis questões. O fato é que eu preciso me reconhecer, no íntimo que até então estava inteiramente à disposição de outra pessoa. Bem, ali está vazio agora. Pois tudo o que nutria no meu íntimo era em relação à outra pessoa, não a mim. E quando essa pessoa deixa de existir, fica apenas o vazio. Creio que o lado positivo é que esse vazio pode ser preenchido com o que quer que eu deseje.

Mas não tenho vontade, não agora. Só quero beber meu café e dormir. Limpar minha casa, até nos cantinhos. Esse texto não tem fim. Como posso eu ter a petulância de escrever sobre algo que acontece enquanto eu escrevo? Como contar algo que ainda não foi contado? Como ter o desejo de me redescobrir por inteiro? São todas questões sem resposta. Tão somente senti a necessidade de escrever. Talvez esse seja o ponto de partida.

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