Da garota para a qual fechei minha porta

Eu não posso escrever sobre outra coisa que não seja a realidade. Gosto de pensar sobre as histórias que eu vivi alguns meses ou anos depois que elas se passaram. Creio que faz algum tempo que não conto uma história aqui. Senhoras e senhores, o dia chegou. Ainda mantenho um bom contato com a pessoa, então para não impactar na vida atual dela não trabalharemos com nomes e datas específicas. Mas tudo o que será contado aqui em relação aos fatos é absolutamente verdadeiro. Uma observação importante aqui é que nenhum nome será citado e também nenhum pseudônimo, então preste bastante atenção para que certos trechos do texto não fiquem confusos ;)

Conheci essa garota há pouco menos de uma década. Ela era uma pessoa bastante próxima de alguém com quem eu mantive um relacionamento conturbado que eu julgava ser para sempre. Nos dávamos relativamente bem, nunca conversamos profundamente sobre nada. Dávamos aquelas festas de adolescentes mesmo já sendo ‘adultos’ (ao menos no âmbito da faixa etária) e frequentávamos os mesmos bares sempre que nos víamos. Aquela pessoa com quem eu me relacionava foi embora e assim, naturalmente, deixamos de conversar. O único motivo que fazia com que nos encontrássemos volta e meia era aquela pessoa.

Anos depois eu conheci uma outra garota, que nada tinha a ver com a história que contei a pouco, mas que se encaixa nela. Levei-a ao que se tornaria meu bar predileto por alguns meses. Bebemos bastante e voltamos para o meu apartamento. Mantivemos uma espécie de relacionamento por algumas semanas. O que isso tem a ver com a história toda? Acontece que eu acabei reencontrando aquela pessoa de meu passado, pois elas dividiam o mesmo apartamento. Mas não dei grande importância para isso, pois quando nos encontramos apenas conversávamos sobre as banalidades da vida, sem dar grande importância para aquela coincidência.

Bem… Por forças da vida e uma série de outras coincidências acabamos saindo para tomar uma cerveja. Uma cerveja chama outra cerveja e assim por diante. Fomos a alguns bares, até cansarmos nossos fígados e bolsos. Como já era tarde, acabamos decidindo que eu dormiria no sofá naquela noite e iria embora cedinho. Por algum motivo, eu não conseguia dormir e nem ela e acabamos assistindo a uma série de vídeos no YouTube. Fizemos isso e conversamos. Por horas, literalmente, até o nascer do dia.

Não transamos, por uma série de motivos que não devo contar aqui. Mesmo assim havia ficado uma ‘sensação’ de que algo naquilo parecia certo. Inicialmente, pelos mesmos motivos que não devo contar aqui, lutamos para que nada acontecesse, mas não lutamos o suficiente. Acabamos transando com frequência e iniciamos um relacionamento. Sem qualquer rótulo, apenas nos relacionávamos.

Ok, também não posso entrar em detalhes sobre o que motivou os fatos que se desencadearão a seguir. Mas, em dado momento, uma pessoa de um passado recente (pessoa X) tinha retornado para minha vida e em pouco tempo me botou em xeque-mate. Foi o tipo da situação do “ela ou eu” que eu não queria criar. Bem, a pessoa do meu passado (pessoa x) deixou a decisão para mim. E essa nova pessoa também. Eu não sabia exatamente como decidir, ao menos racionalmente.

Mas uma decisão precisava ser tomada. Enquanto eu me decidia, acabamos nos tornando muito próximos. Ela parecia estar perdidamente apaixonada, embora eu ache que no fundo ela simplesmente não queria perder algo bem legal que tínhamos. De qualquer forma, ela estava disposta a lutar, naquele espírito de “eu vou fazer tudo que puder” que transparecia nas suas mensagens e na sua fala. Do outro lado, porém, eu também tinha outra pessoa (pessoa x) disposta a lutar. Eu sei o que você está pensando. Duas mulheres dispostas a tudo por mim deve ter sido a melhor época da minha vida, não é? Pois foi justamente o contrário. Foi o suficiente para eu perder a cabeça como perdi poucas vezes na vida.

Demorei mais para tomar aquela decisão do que eu planejava. E quando a tomei, optei por não mais estar com ela. Ela não aceitou muito bem o negócio. Acho que ela deu muita importância a tudo, como se aquele fim fosse representar algo sobre ela mesma. Mesmo assim e não facilmente, a decisão foi tomada e mantida. Tinha acabado.

O motivo de eu estar contando essa história para você é uma metáfora envolvendo portas. Parece besteira, mas não é. Quando eu tomei minha decisão, eu acabei fechando uma porta na cara dela. E todas as portas que ela esperava abrir depois de entrar naquela porta que eu tinha fechado acabaram desaparecendo da mesma forma. Elas simplesmente deixaram de existir. Eu havia dito que aquelas portas poderiam ser abertas, mas as destruí por completo.

Parece triste e desalmado da minha parte, não parece?

Bem… Tem aquela história que sempre contamos para nós mesmos que tudo acontece por um bom motivo. Ela se aplica diretamente nesse caso.

Quando eu fechei as portas para ela, ela passou a procurar outra direção. Não sei exatamente qual era seu estado emocional, mas creio que não deveria ser dos melhores. Não conversamos diretamente por um bom tempo. Mas, em algum momento, ela encontrou seu caminho e consequentemente viu novas portas se abrirem bem diante de seus olhos. E dessa vez, ninguém fechou-lhe as portas. Ela aproveitou cada uma de suas oportunidades.

Hoje ela tem outra vida. Várias das coisas que aconteceram com ela aconteceram justamente pelo fato de eu ter fechado a minha porta e ela ter encontrado outras abertas (também não posso entrar em detalhes sobre a vida dela no momento, mas garanto que está bem melhor do que era antes). Uma série de oportunidades apareceram a partir de um término decepcionante e um tanto quanto desolador. Você consegue enxergar? Ela não deveria ter entrado em minha porta, mas caso ela não tivesse tentado ela poderia ter sido privada de todas as coisas que acontecem com ela hoje. Se por algum motivo ela tivesse entrado em minha porta, certamente nenhuma das coisas maravilhosas que passaram a acontecer com ela teriam acontecido no momento em que aconteceram.

Esse é o ponto central de tudo. Quando uma porta se fecha e você tem certeza que ela não irá abrir de novo, você deve procurar por outras portas. Você sequer tem escolha! Ficar batendo naquela mesma porta, por mais encantadora e convidativa que ela lhe pareça, não vai fazer com que ela abra. Ela fora trancada por dentro. O que você pode fazer é procurar por portas que realmente estarão abertas para você e fazer o melhor que você pode com aquilo que a vida lhe oferece. Não tem segredo. São portas abertas e fechadas. Quando você chora do lado de fora de uma porta fechada, você deixa também de pensar sobre as outras portas que estão abertas. E há muitas portas abertas por aí, dispostas a lhe oferecer muito mais do que aquilo que você pensa estar do outro lado de uma porta fechada.

Não fique batendo a cabeça nas portas que se fecham. Vá em direção a outras. As encontre e permita que elas a encontrem. Hoje, somos bons amigos, do tipo de amigos que troca conselhos sobre a vida pelo menos uma vez por semana. Damos inclusive conselhos sobre nossos próprios relacionamentos um para o outro, sem qualquer intenção de mexer naquela porta que um dia eu fechei. E dessa forma, abrimos uma nova porta para nós, uma que não precisará ser abruptamente celada. Algo trágico nem sempre é algo trágico, desde que você não enxergue o acontecimento como uma tragédia. Aquela porta fechada nos tornou mais próximos e fez com que nossas vidas tomassem rumos diferentes. Hoje, nem ao menos pensamos sobre aquela porta. Certamente, ambos agradecemos por em algum dia ela ter sido fechada.

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