A vida (de dentro para fora)

Dentre as características que devem chamar a atenção das pessoas sobre mim certamente está a mutabilidade. A grande questão para mim ao longo dos anos foi a quebra da rotina, a ruptura total de hábitos, lugares e pessoas. Não busco preservar muita coisa na minha vida. Não pretendo ter uma grande coleção de pessoas, mas sim manter comigo aquelas que mais me importam. As pessoas para mim são representadas pelas experiências que elas tem consigo mesmo e as quais teremos juntos. Isso não significa – de forma alguma, que as pessoas tem prazo de validade ou que são descartáveis: significa, entretanto, que chegada a hora, separemos os caminhos.

Eu rejeito tudo, menos aquilo que julgo como melhor. Pouca coisa na vida tem me acompanhado ao longo desses anos loucos. Gosto de viajar com pouca bagagem. O que eu nunca rejeito é a surpresa. Gosto de me surpreender constantemente. Encontro mais oportunidades nas surpresas do que distrações. Um acontecimento trágico pode lhe proporcionar uma nova alternativa, pode te mudar, pode te moldar e lhe tornar menos relutante às mudanças naturais da vida.

Viver liberta, mas a maior parte de nós não vive. Eu mesmo, durante a maior parte do tempo, me questiono se realmente estou vivendo. Vai muito além de respirar, ingerir alimentos ou ir ao banheiro. Viver só liberta quando vivemos plenamente. E isso não tem nada a ver com viajar, conhecer novas pessoas ou ganhar dinheiro. A verdadeira vida plena parte de dentro pra fora. Viver liberta, mas devemos viver internamente. Somente quando se vive dentro de si mesmo, se pode viver e experimentar verdadeiramente o lado de fora. Se você nunca passou por uma confusão interna que culminou numa calmaria sem precedentes, você não vai entender muito bem do que falo aqui, mas entenderá, quando passar por isso.

A rejeição pela vida interna pode proporcionar a avareza eterna. Nem sempre gostamos daquilo que encontramos dentro da gente, pois por muitas vezes nos assustamos com nossos próprios sentimentos. Mesmo assim devemos encará-los, como devemos encarar a própria vida. É nos lugares mais profundos de nós mesmos que encontramos as verdadeiras riquezas, o verdadeiro tesouro. Só podemos buscar por algo fora quando temos a confirmação de quem realmente somos. Quando foi a última vez que você olhou bem para dentro de si mesmo? Que conversou consigo mesmo por horas? Quando você deixou de atender um compromisso por estar completamente investido na experiência de sua vida interior, como se tentasse ler seu coração e sua alma?

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2 comentários

  1. Hoje mesmo estava pensei sobre isso, sobre enganar a si mesmo, isso não existe, no silencio vem tudo a tona, não há como fugir de nós mesmos, podemos tentar com comportamentos e ilusão de quem somos, profissão, papéis na família na sociedade, quando tiramos tudo isso resta quem somos de verdade…e sobre a vida acontecer, não significa que respirar ou seu corpo todo funcionar sem ter um proposito ou objetivo na vida seja menos significante do que a vida de quem faz acontecer, acredito que mesmo se eu só respirasse apenas existisse já estaria compartilhando o todo e sendo parte dele e isso já complexo e ao mesmo tempo lindo…viver não cabe em palavras ou experiências, viver eu digo, estar consciente…

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