DNA, copos cheios, mulheres fantasmas & caras imbecis que falam sobre elas nos bares

Eu e um querido amigo afogávamos as magoas em um dos bares das redondezas. Falávamos sobre as maravilhas do universo enquanto bebericávamos nossos goles.

-Escuta cara… Você também precisa se livrar das evidências depois de uma mulher? – eu perguntei.

Ele ficou me olhando com uma cara de tonto, sem saber se tinha ouvido certo. Comecei a me explicar para ele.

De vez em quando aparecem algumas mulheres que conseguem ficar em nossas vidas por alguns meses mesmo contra nossa vontade. Elas acabam dormindo na nossa cama, vestindo nossas camisetas e usando os nossos chuveiros. Mas chega uma hora que a história tem seu desfecho e para que eu conseguisse me sentir em casa tinha que me livrar de todas as evidências.

-Quais evidências? – ele perguntou, ao ouvir a explicação.

-D.N.A! – eu respondi.

De fato, as mulheres sempre deixavam seus fios de cabelo para trás e sempre esqueciam alguma coisa em nossos apartamentos. Elas conseguem um travesseiro só delas e se você tiver algum cobertor sobrando será ela quem vai usar

-Cara, eu gosto dos fios de cabelo e do cheiro delas na minha cama! – ele disse, enchendo e esvaziando o copo – Enquanto posso ficar sem lavar a roupa de cama, eu fico!

-Você dorme com fantasmas! – eu o respondi

Ficamos sérios por alguns minutos e depois caímos na gargalhada. Eu realmente gostava da companhia daquele filho da puta, por mais que discordássemos sobre quase todas as coisas.

-Pois bem… – ele disse – Ficamos com as mulheres erradas… Talvez tenhamos os dedos podres. Mas eu acredito piamente que existe uma mulher aí pra cada um de nós.

Eu também achava. Acendi um cigarro e ele me acompanhou. Ele pegou uma outra garrafa e serviu ambos os copos. Continuamos bebendo e pensando sobre a tal garota que existe para cada um de nós.

Praticamente tomamos as próximas duas garrafas em silêncio, mas ambos pensávamos sobre a mesma coisa. De vez em quando olhávamos um para o outro com aquela cara de paspalhos. No fim das contas, éramos só mais dois caras que se reuniam nos bares para falar de mulher. Quantos não existiam no mundo?

-Acha que ela está por aí? – eu perguntei.

-Cacete… Tenho certeza! – ele respondeu.

Levantou-se e pegou mais uma garrafa. Bebemos com a sede de mil homens.

-Vamos! – ele disse, enquanto tentava se levantar do banquinho quase sem sucesso – Vamos arranjar umas garotas!

Eu levantei e percebi que também estava meio alterado. Virei o que tinha sobrado de cerveja dentro do meu copo. Pagamos a conta e saímos a passos tortos.

Procurávamos por mulheres.

O que mais iríamos fazer?

Esse texto é uma repostagem de uma publicação de agosto de 2014.

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