Meus gostos mudaram ou eles se tornaram você?

Quando você está perto, tudo ganha vida. O sol conversa comigo, assim como as nuvens e até mesmo as chuvas que insistentemente caem quando o céu fica preto. O céu também fica vivo, impaciente, imprevisível. Quando não estás, o céu é apenas um detalhe. Eu não me queixo da temperatura, nem se chove demais ou de menos. Não há como me entediar quando você tem consigo a capacidade de tornar o mundo mais cheio de vida.

Não só a natureza, que tanto nos fala mas que não sabemos ouvir, mas eu me refiro a tudo. Os móveis da casa ganham vida. Os livros ficam mais interessantes e apetitosos. A comida tem mais sabor e a cerveja fica gostosa mesmo quando está morna e sem espuma. Ir ao banheiro, tomar banho… Todas essas atividades cotidianas de repente se tornam a melhor coisa do mundo. E dormir? Dormir sentindo seu gosto, seu cheiro, seu corpo junto ao meu. Eu que sempre fui insone, encontrei no sono um dos meus maiores prazeres – só não mais do que aquela outra coisa que fazemos quando estamos embaixo dos lençóis.

E teu corpo? Sempre foi tão vivo assim ou tu só o tornaste vivo desse jeito para mim? Todas suas partes são um órgão sexual, mas também um reduto de carinho. Procuro, no meio de minhas manias, por algum defeito naquele corpo que parece ter sido esculpido para atender meus gostos. E você nem fazia meu tipo. Meus gostos mudaram ou eles se tornaram você?

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