Nos fazemos em nosso próprio DNA

Misturamos nosso DNA em um caldeirão. Bebemos dele. Não tem mais como separar seu DNA do meu (criamos um novo DNA? Um nosso?). Não consigo separar seu cheiro do meu. Seu cheiro está em minhas roupas, no meu corpo. E não sai quando eu tomo um banho, por mais demorado que seja. Seu gosto também está na minha boca e não importa quantas vezes eu escove os dentes: ele continua ali. Minha cama nunca será a mesma. Eu nunca serei o mesmo. E quem disse que eu quero?

Gostei da nossa brincadeira. Gosto de ter teu DNA espalhado por mim. Gosto de não conseguir fugir de teus aromas e sabores, mesmo que assim desejasse. E teus fios de cabelo espalhados pela casa, que eu insistentemente coletava com o aspirador, de repente se tornaram um detalhe interessante que mantém meus dias vivos.

Queria te colocar em uma garrafinha. Te beberia por inteira!

Queria te colocar em meu prato! Te devoraria por toda a vida!

Não seria nada mal passar a vida respirando pelos mesmos pulmões, não é mesmo?

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