Pode me soltar (eu vou lá e te agarro de novo)

Quando tuas mãos estiverem suadas e escorregadias, não tente me segurar. Não, já passamos há muito dessa fase. Se por qualquer motivo precisar soltar-me, vai lá e solta-me. Nem se preocupe com isso. Não perca a fome ou o sono.

Pode me soltar, pois somos dois ímãs que se atraem constantemente. Quanto tempo aguentamos longe? Quanto tempo aguentamos o ar rarefeito de quando estamos sós? Quanto tempo até nos enjoarmos e nos enojarmos das outras pessoas, das outras coisas, de nossa outra vida.

Sim, pode soltar. A gente sempre se esquece do quanto as coisas são ruins na distância quando estamos próximos delas. Até nos lembramos das sensações, do silêncio ensurdecedor, do tempo perdido… Mas não conseguimos sentir do mesmo jeito.

Se precisar vai lá e solte.

Não tenho problemas em ser solto, nem problemas em te procurar, nem problemas em te agarrar novamente. E se um dia forem as minhas mãos que estiverem escorregadias, permita que eu as solte. Do mesmo jeito, não terei problemas em te procurar, nem em te agarrar novamente.

Pode soltar, por mais evitável que seja. O que basta é a certeza que te agarrar é inevitável.

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