Eu (que nunca fui a pessoa mais cuidadosa do mundo)

Eu nunca fui o cara mais cuidadoso do mundo… Eu sempre atravessei a rua sem olhar para os dois lados e, de vez em quando, era surpreendido por um carro que freava bruscamente, fazendo minhas pupilas dilatarem. Mesmo assim, cinco minutos depois, eu já estava atravessando a rua sem olhar para os dois lados novamente. É, eu não fui mesmo um dos caras mais cuidadosos do mundo, parecia que todo dia era o caos completo: nada a se perder e tudo a se ganhar no mundo.

Mas aí veio você… E eu continuei atravessando a rua sem olhar para os dois lados. Eu precisava te perder, entende? Talvez ter tudo a perder e não ter nada a perder fosse a mesma coisa em um certo tempo. Ah, como eu tentei te perder… Queria ter a mesma coragem para te perder do que tive para atravessar a rua de olhos vendados por incontáveis vezes. Mas, você vê… É muito mais perigoso te perder do que ser atropelado em uma vida… Esse é o meu medo. Eu, que não era o cara mais cuidadoso do mundo há algum tempo e que não tinha medo de nada (nem da própria morte) me vejo olhando de repente para os dois lados da rua. Como você ficaria se eu me perdesse por aí por uma burrada inconsequente dessas que só eu faço? É… O medo fez com que eu me tornasse mais cuidadoso, fez com que eu tomasse mais precauções, ainda que eu goste da ambiguidade e dê espaços para que todos os imprevistos do mundo entrassem em nosso caminho.

Talvez olhar para os dois lados quando eu atravesso a rua seja só o começo. Eu não olho para os dois lados por medo de te perder… Eu olho para os dois lados por medo de te decepcionar com alguma atitude inconsequente. Precaução! Essa palavra que eu tanto temia… E que tanto me faz hoje! Quem dera eu tivesse sido mais precavido antes, enquanto tinha a repulsa pela precaução me dominava. Quem dera eu tivesse sido mais cuidadoso.

Mas as coisas não são bem assim. Se tenho orgulho de algo é que nunca fui o cara do “quem me dera” ou do “e se”. Eu sempre fui o cara do aqui e agora, da presença e da intensidade. Continuo sendo esse cara. E com todas as minhas precauções, com todos os meus cuidados, quero dizer que ainda assim – por você – eu tomaria um tiro no meio da cara se fosse preciso. É pra frente que a gente vive, não é? Não pra trás, nunca pra trás.

Eu, que nunca fui o cara mais cuidadoso do mundo… Se quiser, ao menos por ti, eu tento. Se precisar, sobretudo por ti, eu me torno.

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