MACHISTAS, NÓS?

Se você está aqui, a primeira coisa que você precisa saber é que eu não me importo nem um pouco com a sua ideologia política. Se você é daquelas pessoas que enxerga ideologia política em qualquer coisa e vai encontrar algum ponto aqui que é de esquerda, direita, liberal, conservador, dentre outras, esse texto provavelmente não é pra você. Me cabe fazer essa pequena pontuação. Não vá usar meu texto pra defender a porcaria enlatada na qual você acredita. Use outro texto ou escreva um seu!

Passada essa pequena alfinetada… Vamos falar sobre machismo?

No dicionário machismo é conceituado como as opiniões ou atitudes que discriminam ou recusam a igualdade dos direitos entre homens ou mulheres. Mas não é bem isso, né? Creio que o machismo nosso de cada dia acaba ultrapassando uma mera barreira conceitual. Machismo é, na verdade, um bocado de ações (e até pensamentos) que todos os homens tem diariamente. Não, esse não é um texto escrito por uma feminista enraivecida com todos os homens. É um texto escrito por um homem mesmo (reparou no nome do blog?).

Tenho pensado muito sobre o machismo. Eu sempre fui bastante liberal com as mulheres com as quais me relaciono por um curto tempo e com todas as minhas amigas. Nunca liguei para o que elas faziam com o seu corpo e elas encontravam em mim um confidente sempre que precisavam falar sobre alguma experiência sexual escandalosa ou algo do tipo.

Creio que sempre gostei das mulheres, até mais do que eu devia. Mas não, eu não sou um floquinho de neve ou a última Coca-Cola do deserto. Eu, volta-e-meia, me pego sendo machista. Não é algo pensado, é algo meio internalizado. Não é algo que eu queira, é tipo um rótulo escroto pra cacete que todos os homens tem de vez em quando. Se você é mulher, nunca confie num homem que disse que nunca foi machista. Se você é homem e jura nunca ter sido machista por um momento na vida, você com certeza precisa repensar isso.

O machismo é inexorável a todos os homens. Não, eu não acredito que isso mudará (infelizmente) em um curto período de tempo. Nós, que “não somos machistas”, queremos a igualdade entre homens e mulheres. Mesmo assim, volta-e-meia, vem um pequeno (ou grande) pensamento, uma pequena (ou grande) atitude. E então nos revelamos como somos de verdade: todo homem tem um pouquinho (ou muito) de machismo dentro de si.

Eu cresci com uma irmã e uma mãe. Minha mãe sempre assumiu o controle de casa, ditou as regras, me ensinou a não desrespeitar as mulheres, me ensinou que estuprar é errado (pode acreditar, a partir do momento em que as mães precisam ensinar isso aos filhos, tem algo muito errado em toda nossa herança cultural e social), me ensinou até a levantar a abaixar a tampa do vaso depois de usar (algo que continuei fazendo por costume, mesmo quando morava sozinho e sem mulher alguma no meu apartamento).

E, óbvio, nunca me considerei um machista. Comparado com as coisas que eu vejo todo dia, nem me coloco no mesmo balaio. Mas… Volta-e-meia…

Creio que as pessoas confundem ser machista com ser misógino. Ser misógino é odiar as mulheres, ser machista é ser um completo babaca (não que o misógino não seja). Nem fodendo que eu vou romantizar o machismo ou algo do tipo. Acho algo escroto pra caralho. Mesmo assim, volta-e-meia, me pego num pensamento ou fala machista. Eu percebo na hora, mas não consigo pedir desculpas… É tipo aquela máxima de fingir que todo mundo é machista, menos eu. Procuro justificativas, mas não as encontro. E, na maior parte das vezes, nem peço desculpas… Penso ser algo pequeno, mas depois fico remoendo elas: “Puta que pariu, como seu sou babaca”.

Nem de longe quero mandar aquela de “Machista, eu?”. Mesmo que na maior parte do tempo eu não diga, pense ou faça algo machista, volta-e-meia… É sobre isso que é esse texto! Sobre o fato de que, por mais que amemos as mulheres, de vez em quando seremos machistas. E nós nem vemos isso acontecer! Nós não gostamos quando as mulheres dizem que todos os homens são machistas, mas de vez em quando cada um de nós é um pouquinho. Até o menos machista de todos nós é machista às vezes.

Nem eu sei como resolver esse problema. O que eu sei, é que quando somos um pouco machistas, não podemos simplesmente ignorar, buscar justificativas ou mentirmos para nós mesmos. O primeiro passo para tudo, afinal, talvez seja descermos de nossas nuvens de julgamento, aceitarmos que somos machistas às vezes e daí em diante partirmos de algo concreto para que possamos mudar. Você não quer, afinal, ser um machista babaca de vez em quando pra sempre, ou quer?

 

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Um comentário

  1. Acho que reconhecer isso já é um bom passo pra seguir em frente. E só gostaria de falar que já vivi que essa tirinha na pele: não pude falar de machismo por ser mulher e, acredite, já vi homem não podendo falar de feminismo por ser homem. Será que não estamos todos nós ficando loucos com as descobertas de todas essas ideologias? Sem saber o que fazer com elas direito? Foda…

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