adeus

Queria não ter aberto aquela porta, nem ter lhe dado as chaves dela. Queria não ter aberto meu bem mais precioso, tudo o que eu tinha antes e meu único método de autodefesa: meu coração. Queria não ter lhe emprestado nada… Nem minha vida, nem a blusa que minha mãe fez, nem meu tempo.  Queria não ter desperdiçado aquele toque de mãos, que eu julgava ser verdadeiro. Queria não ter jogado minha confiança em um precipício do teu lado mentiroso. Queria até mesmo acreditar em ti, quando tu disse que esse toque era verdadeiro depois de tanto. Queria acreditar em mim mesmo quando eu disse que acreditaria nele.

Queria eu…

O amor às vezes nos deixa confusos, às vezes nos deixa desamparados… Mas quando tu sentes tudo ao mesmo tempo, tenha certeza: não é amor!  Queria ter sido menos amor, mais ódio. Menos guardanapo, mais sujeira. Queria ter ficado mais em silêncio, pois a gritaria de nada vale. Sempre fui um mar gritando em meu silêncio! Mas queria ter deixado, mesmo como mar silencioso, meu amor guardado por mais um tempo… Queria tê-lo preservado, como sempre achei que ele fosse merecedor. Queria ter ao menos a sensação de aquilo que eu guardei por tanto tempo não ter sido jogado fora.

Queria ter feito tantas coisas, como todo mundo queria. De tantas as coisas em que errei, o amor é minha menor preocupação! O amor se regenera, o tempo perdido não. Surgirão novos amores, novos modos de olhar para a vida, até novas formas para que eu me entregue. Nunca surgirão novas formas para que eu olhe para um poço de mentiras, entretanto: nunca olharei para algo tão feio desejando o melhor – não novamente.

Queria, ao mesmo tempo, ter sido mais doce. Ter sido mais dócil. Mas não me arrependo de não ter o sido. Sinto-me na honra de ter me mantido inteiro, enquanto tua dívida não fora cobrada. Olhe ali, enquanto a lua me chama e me envolve e tu tentas me manter por perto gritando, ma batendo. Olhe para a lua, tão serena quanto eu. Olhe para você, dormindo tanto quanto todos que já morreram (e tanto quanto um anjo que morreu engasgado em suas próprias mentiras, daquelas que disse ter fugido). Só terás vida para tudo aquilo que parou de fazer. Tua vida é lá atrás, a minha será na lua.

Eu acordo e todos meus impulsos vão contra ti. Toda minha natureza. Checo minha consciência de novo e vejo que ela também acha que teu momento já passou…. Que nosso momento passou! Olho para minha verdade e ela me diz para viver com a verdade e não com a mentira. Deixo essa parte para ti.

Deixe-me o tesão, leve aquilo que tu chama por esse nome. Leve a conversa que deixou inacabada, pois teve tuas chances de terminá-la e não as terá mais. Deixe tudo que tu fingiu ser para ser aquilo que verdadeiramente és. Deixe clarear. A gente acorda, não é? Enquanto uns dormem, outros acordam. Leve tua teia de mentiras para longe e continue a tecendo para a próxima pessoa, pois a dispenso.

E tu, na tua arrogância, pensa que estou falando para ti, enquanto na verdade estou falando para mim próprio enquanto tu não ouves. Dispenso a audição não concentrada e a obrigação, dispenso os agrados. Dispenso tudo.

Lembra-te de quando eu te dizia que “tu eras umas estranha pra mim” e tu dizias que não poderia ser uma estranha pra mim jamais? Talvez devia ter prestado mais atenção. Pro adeus que tu achará que eu não disse, aqui está ele: adeus.

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