Uma lição sobre as perspectivas e sobre como nem tudo é o que parece

Permita que eu lhe conte uma história:

“Eu tinha essa esposa há mais de 20 anos e ela simplesmente roubou metade de tudo o que eu tinha. Ela nunca trabalhou por conta própria e sequer fazia qualquer coisa na casa como lavar os pratos, deixando tudo pra mim.

Eu fiz tudo o que eu poderia para ela! Além de trabalhar fora, eu também tinha me transformado em sua empregada. Fiz tudo para ser um bom esposo! Até aí tudo bem! Um belo dia, enquanto eu passava de carro por seu restaurante predileto, me deparei com ela no local com um outro homem. Descobri que ela tinha conversas com esse homem sobre ‘largar tudo e fugir juntos pra algum lugar’.

Logo após o começo das traições, ela decidiu se divorciar de mim. Levou metade de tudo o que eu lutei para ter e correu para se divertir com o amante.

Não faço a mínima ideia do que acontecerá comigo daqui pra frente”.

Agora, permita que eu lhe conte outra história:

“Eu tinha que deixá-lo. Se eu não o fizesse, eu arriscaria a minha vida e a vida do meu bebê. Quando nos casamos, ele me forçou a largar meu emprego e ficar em casa, pois, segundo ele, era isso que as boas mulheres faziam. 

Ele não só controlava tudo o que eu fazia, mas quando eu o desagradava, ele abusava física e psicologicamente de mim. Quando ele ia longe demais, ele me compensava com presentes ou fazendo alguma tarefa doméstica apenas para manter as aparências para as outras pessoas. Teve um dia em que ele abusou demais e me deixou com uma cicatriz na perna que vai ficar para sempre.

Ele me bateu de novo quando eu lhe disse que devido ao ferimento em minha perna eu não poderia mais fazer tarefas domésticas, nem nenhum serviço pesado. Fiquei, de certa forma, aleijada.

Um dia, um velho amigo me contatou dizendo que estaria na cidade. Sem vê-lo há muitos anos, fiquei entusiasmada por sair da prisão que era aquela casa e me encontrar com ele. Queria tanto que ele se divertisse que o levei para o meu restaurante favorito.  Em algum momento da conversa, lhe revelei todos os problemas para ele que tinha em casa e ele se ofereceu para me levar para longe do homem tóxico que eu chamava de meu esposo.

Esse velho amigo me encorajou a pedir o divórcio e se comprometeu a me ajudar temporariamente a voltar a ficar de pé. Me encorajou inclusive a exigir metade dos bens do meu então esposo, como um direito de pagamento da dor que ele me infligiu ao longo de todos estes anos. Consegui fazer isso e agora estou temporariamente com meu amigo e sua esposa vivendo de favor em seus lares até encontrar uma solução.

Não faço a mínima ideia do que acontecerá comigo daqui pra frente”.

 

Duas perspectivas, o mesmo incidente.

Nas duas versões da mesma história, as duas parte do casal se vitimizaram e fizeram com que a outra pessoa se tornasse o vilão sem oferecer toda a visão do caso. Isso é um reflexo da própria natureza humana, de como costumamos nos lembrar de eventos de um jeito que nos faça parecer uma boa pessoa.

No futuro, quando você estiver ouvindo uma história de um amigo de coração partido ou lendo qualquer coisa, mantenha essa informação na sua cabeça. Não acredite em tudo que você vê. Não acredite em tudo que você ouve. Pense: quase sempre há um outro lado para a história, uma outra perspectiva.

 

Esse texto foi inspirado na ideia de Arleen Chiu.

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