Por que eu desisti da fotografia?

Quem me conhece pessoalmente sabe que eu trabalhei por uns bons anos como fotógrafo. Nunca foi minha única profissão, por assim dizer, exceto quando eu estive desempregado. Eu realmente amava a fotografia e carregava minha câmera Canon por todo o lado. Tinha sido um pesado investimento e eu ainda tomei algumas aulas para aprender a fotografar melhor.

Creio que todo fotógrafo começa pela paixão. Porém quando você começa a levar algo profissionalmente, principalmente como sua única fonte de renda, isso cria uma imensa quantidade de pressão sob os seus ombros.

Eu comecei a desistir da fotografia em 2014. Eu trabalhava como redator de um jornal e trabalhava na vida noturna, tirando fotos de baladas, bares e restaurantes de quinta à domingo. A ideia por trás do trabalho era receber por quantidade. Não era incomum eu cobrir duas ou mais festas na mesma noite. Só assim compensava financeiramente.

Mas aquilo começou a se transformar em uma coisa ruim. Lembro que uns amigos e eu tínhamos um site em 2012 e nós fazíamos as coberturas de graça para mostrarmos o nosso trabalho para as casas noturnas. Era a coisa mais divertida do mundo! Bebíamos de graça, tínhamos acesso a todos os lugares e artistas, conhecíamos muita gente legal e fazíamos bons contatos profissionais.

Acontece que as “fotos de festas” não eram a minha paixão e aquilo era praticamente tudo o que eu fazia. De vez em quando, também tirava fotos para restaurantes utilizarem no cardápio e nas redes sociais, mas aquela também não era minha paixão. Eu gostava de fotografar as coisas do dia a dia, pequenos sorrisos, insetos no chão, belas paisagens. Não havia nada do que eu amava na fotografia no meu trabalho: somente poses ensaiadas e todo mundo querendo parecer maravilhoso artificialmente o tempo inteiro.

Com o tempo, tudo o que eu queria era ficar em casa um fim de semana. Eu raramente tinha duas noites livres seguidas depois de quarta ou quinta-feira. Eu comecei a detestar tudo aquilo. E o pior é que não acabava ali: no dia seguinte, eu tinha que editar as fotos, dar os retoques necessários e aplicar os filtros. Além disso, eu ainda precisava escrever, pois a audiência do site dependia de mim e eu também controlava as redes sociais do portal.

No fim de 2014, eu vendi minha câmera. Eu tinha fechado um novo acordo para voltar para a fotografia das baladas em Curitiba, apenas por precisar de dinheiro, mas no fim das contas entendi que aquilo não era pra mim. Eu era um fotógrafo, mas não aquele tipo de fotógrafo. E eu não queria seguir como um fotógrafo profissional de algo que eu odeio.

Então sim, eu desisti.

Eu comprei uma outra câmera, até melhor que a anterior. Mas eu só a uso para fotografar o que eu quero. Como fotógrafo profissional, descobri que sou um fotógrafo de hobbie.

Isso não quer dizer que você também deva desistir, nem de longe. Talvez você quisesse ter a oportunidade que eu tive e desprezei. Se você desejar e estiver disposto a passar pelo lado ruim da fotografia profissional, siga em frente. Talvez para você nem mesmo seja o lado ruim! Mas se a fotografia se tornar algo degradável e você estiver quase perdendo o amor por ela, desista. Antes de ser uma profissão, a fotografia é uma arte. Não deixe de ser um artista.

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