As ‘Bicicletas Yellow’ destruídas e furtadas dizem muito a respeito da gente

Alguns dias atrás a empresa Yellow começou suas atividades aqui em Curitiba. Eu tenho andado querendo comprar uma bicicleta faz algum tempo então me empolguei com a notícia. Basicamente trata-se de um serviço de bicicletas e patinetes elétricos compartilhados por um aplicativo. Você usa o app, encontra uma bike perto de você, utiliza ela e deixa para o próximo usuário:

De imediato, todo mundo se empolga. Talvez fosse uma oportunidade de deixar o país mais sustentável, de desafogar o trânsito e de promover o ciclismo e as atividades físicas. Talvez a gente só tenha esquecido que estamos no Brasil.

48 horas depois do começo do serviço, começaram a ser registrados furtos e vandalismos com as bicicletas. Dá uma olhada nisso:

O primeiro furto aconteceu por volta da 1h30, na Rua José Loureiro, na Praça Carlos Gomes, no centro de Curitiba. Segundo o guarda Geremias, o flagrante foi feito no momento em que um homem tentava destravar a bicicleta. “Chegamos e o flagramos praticando o furto. Ele disse que achou na rua e achado não é roubado. Enquanto fazíamos o flagrante, outro rapaz passou pedalando mais uma bicicleta. Abordado, ele disse a mesma coisa, que achado não é roubado. Os dois foram levados para a Central de Flagrantes”, disse o guarda. Da Banda B.

A ideia da Yellow é muito bacana! Basta saber utilizar o serviço (que é muito barato) com consciência, pensando no próximo. E claro, houve incidentes em outros países. Em Paris, França, houve relatos de vandalismo. Em alguns pontos do país francês inclusive o serviço deixou de operar. Tenho um amigo em Portugal que me afirmou que o serviço funciona muito bem lá e que não leu até então nem um registro de vandalismo ou de furto. Os próprios fundadores da Yellow assumem que existe um previsto para esses casos e que ao menos na cidade de São Paulo, até então, as ocorrências estão abaixo desse previsto.

Mas no caso brasileiro o que me chama atenção (vide notícia acima) é que as pessoas parecem não ter noção: “algumas pessoas estão usando cadeado próprio nas bicicletas, ou deixando-as dentro de casa, impedindo outros clientes de usá-las”. E não para por aí, não mesmo. Não contentes com o furto da bicicleta, alguns tentaram transformar isso em um empreendimento. Se liga só no que esse cara está anunciando no OLX:

As bicicletas são equipadas com GPS para desestimular os furtos e elas são projetadas para que “não valha a pena” se apropriar delas (as peças das Yellow não funcionam em outras bicicletas). Talvez, conforme os próprios fundadores do serviço acreditam, com o passar do tempo as pessoas irão deixar de furtar as bicicletas. Mas e o vandalismo?

As bicicletas Yellow, no fim das contas, acabam servindo como uma metáfora que diz muito sobre a gente. Quando eu digo ‘a gente’ não falo apenas sobre o povo brasileiro, mas sim de uma humanidade que parece ser incapaz de pensar no próximo. Ninguém liga para os prejuízos da empresa, tudo bem. Mas qual a necessidade de destruir as bicicletas em um puro gesto de imbecilidade? E nos bairros que contam com poucas unidades das bikes?

O serviço tem tudo pra operar bem, ele só enfrenta um inimigo: a falta de senso de comunidade das pessoas. Ninguém vê a Yellow como um serviço pra facilitar a vida de todos, mas sim como um meio pra tirar vantagem pessoal (mesmo que seja só pelo próprio prazer de destruir as bicicletas com seus amigos imbecis). Quanto tempo você acha que vai demorar, principalmente no Brasil, para os assaltantes começarem a aguardar do lado das bikes enquanto os desavisados chegam? Eles sabem que os usuários tem, via de regra, um telefone celular e um cartão de crédito.

“Achado não é roubado”. É assim que a humanidade segue. É assim que seguimos. Olhar para as bicicletas destruídas diz muito a respeito do nosso egocentrismo e da nossa necessidade de ‘estragar tudo’. Temos a tendência à desonestidade!

Devemos aguardar os próximos capítulos. Talvez com o tempo as coisas mudem! Por ora, o que parece ser uma ideia ótima no papel, parece ser inaplicável em meio à boçalidade de cada dia.

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33 comentários

  1. “Temos a tendência a desonestidade” preconceito né?

    Ingenuidade achar que um país profundamente desigual não existiriam “ladrões” de bicicleta.

    Se roubam tantas bicicletas no Brasil quanto na Alemanha.

    Por fim, a propriedade é roubo!

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  2. Em Villeurbanne e Lyon(França) nunca ví vandalismo com as bicicletas, morava em frente a um ponto e sempre estiveram bem estimadas.
    Infelizmente esse tipo de coisa tem poucas chances de funcionar.

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    1. Em Villeurbanne e Lyon(França) nunca ví vandalismo com as bicicletas, morava em frente a um ponto e sempre estiveram bem estimadas.
      Infelizmente esse tipo de coisa tem poucas chances de funcionar no Brasil.

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  3. Interessante o texto, apenas achei lamentável o triste uso da palavra “mongolóide”. Um “mongolóide” não seria capaz de tal destruiçao. Em geral são muito amáveis e não fazem mal à sociedade. Mongolóide era o termo usado para pessoas com Síndrome de Down!

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  4. A ideia e interessante, mas sem dúvidas vc já esperavam que isso pudesse acontecer, vcs já sabiam como e o povo brasileiro, ( não generalizando) então tinhão plena noção do que poderia acontecer. Emuito valida essa ideia, mas acho que deveria ser em outros moldes, como no rio por exemplo. Esse caso como vcs já sabiam das possibilidades dos furtos,mesmo com o GPS que vcs colocaram, vcs estão criando situações para que o estado, a polícia, resolva o problema de vcs,( que já era esperado) os furtos e roubos.

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  5. Há muitos anos atrás, quando a prefeitura de Curitiba resolveu colocar flores na XV de novembro, elas sempre eram furtadas ou alvos de vandalismo. A prefeitura insistiu, e com o tempo a população se acostumou com o visual, deixaram de furtar. Tenho esperança, e acho que o mesmo pode acontecer com as bikes :)

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  6. Consciência de coletividade no Brasil? Esquece, rsrsrs…
    Acha que esse foi o único caso assim no Brasil? VÁRIAS outras campanhas nesse sentido foram canceladas com DIAS de estréia.
    A Gatorade, por exemplo, fez uma campanha em parceria com as redes de transporte público: colocaram várias máquinas nos pontos de parada. Bastava cadastrar o seu CPF na máquina e você retirava uma garrafa grátis.
    Não demorou nada pra alguém gravar uma mulher com uma lista de CPF’s na mão, enchendo DUAS sacolas de garrafas. Quando algumas pessoas na fila começaram a questioná-la, ela mandou todo mundo pra pqp e saiu correndo com as sacolas, provavelmente pra revender essas garrafas que ela nem precisou comprar.
    Outro exemplo foi de um brasileiro, que foi vender pães de queijo nos EUA. Poucos dias depois, eles foi denunciado na prefeitura local por, pasmem, outros brasileiros que moravam por lá. Mas quando ele chegou na prefeitura, a administração deu a ele o alvará sem custo nenhum. Quando ele questionou o porquê, a funcionária respondeu de uma forma BEM fria:
    “Nós, norte-americanos, não somos como vocês. Se existe uma comunidade de conterrâneos nossos em outros países, é costume ajudarmos uns aos outros a crescerem, pois quando crescemos juntos, crescemos mais fortes do que sozinhos.”
    Essa foi a mesmíssima filosofia da Cosa Nostra, da Tríade e da Yakuza. Essas organizações mafiosas SEMPRE ajudaram os seus imigrantes conterrâneos em TODOS os países em que se instalaram. Não rara vezes, a Yakuza já emprestou dinheiro ao governo japonês, quando ele estava na pior. Um Oyabun disse uma vez, numa entrevista: “somos mafiosos, mas antes de tudo, somos japoneses.”
    Pra nós chegarmos PERTO de um pensamento assim, primeiro temos que restaurar o sentimento de PATRIOTISMO, não só no futebol.
    O Brasil é um dos países que tem um dos maiores índices de vandalismo ao patrimônio público e privado DO MUNDO, junto com outros países latino – americanos, africanos e indochineses. Levaria muitas décadas pra consertar anos de transmissões de ideologias esquerditas MUITO mal feitas nas escolas e uma transmissão ainda pior da grande mídia nesse sentido.
    Colocaram na cabeça do povo que todos os empresários e políticos estão macomunados, que eles são ladrões, que eles vivem da miséria e exploração alheia. E aí, o que acontece? TUDO a volta deles são símbolos da opressão, até mesmo bicicletas amarelas na calçada. Destruir essas coisas mostra a coragem de combater o sistema opressor burguês. Enfim, não estou defendendo a direita, mas fica complicado não querer colher coisas que nós plantamos do jeito errado.

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  7. difícil dividir espaço com pessoas assim, mesmo tendo um país governado por bandidos que nao devolvem o imposto pago, e uma mídia q prega tudo q é ruim, o povo tem livre arbítrio.

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  8. A princípio o nosso pensamento “vira-lata” faz persarmos que isso é coisa de brasileiro, e vi gente compartilhando matérias sobre esse assunto como se fosse comportamento único do brasileiro e sua educação. Eu já tinha lido sobre esse mesmo problema na Inglaterra na matéria abaixo. Infelizmente é “coisa de humano” e não “coisa de brasileiro”

    http://bicycling.com.br/vandalismo-esta-tirando-as-bicicletas-compartilhadas-da-inglaterra/

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  9. Eu sou daqueles que pertence a esta frase “diriga como se tivesse roubado” . Simplesmente as bikes não aguentam o rolê e quebram por elas mesmas. Sendo assim eu tendo que me frustrar e alugar outra para downhill no centro cidade

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  10. Por coincidência justamente hoje pedalei pela ciclovia em Curitiba e me deparei com as bikes yellow estacionadas na beira da ciclovia. Quando vi a primeira pensei comigo quem era o louco de largar a bike na rua sem cadeado. Depois fui vendo outras na sequência e entendi do que se tratava. Todas as bike estavam bem. Encontrei alguns patinetes sendo usados. Tudo blz. O vandalismo certamente existe mas deve ser exceção. Parece injusta a generalização a todo o povo brasileira. Mas sim, grande parcela do nosso povo é mesmo boçal.

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  11. aqui em Milão existem 3 grandes serviços de bike sharing, 1 deles com estação fixa para pegar/devolver (tipo as que o Itaú tentou um tempo atrás no BR) e duas nesse sistema da Yellow (inclusive as OFO são amarelas também e o modelo é bem parecido) de destravar por app e deixar espalhadas pela cidade.
    problemas de vandalismo e furto/roubo são infelizmente bastante comuns, com algumas pessoas que até repintam as bikes de outra cor e outras que nem se dão ao luxo de disfarçar, mas uma das coisas que mais fazem com essas bikes é simplesmente jogar elas dentro dos canais ou dentro da Darsena, o antigo porto central de Milão.
    pegam a bike que tá ali, estacionada esperando o próximo usuário, e simplesmente jogam dentro d’água, o que não só inviabiliza o uso da bike, gerando custo desnecessário de reparo (quando é possível reparar), mas também polui a água dos canais e polui visualmente a cidade, dando trabalho fora do escopo pros voluntários que se dedicam a manter os canais e seus entornos limpos.
    incivilidade, falta de educação e desrespeito pelo patrimônio comum.
    infelizmente, não é só coisa de brasileiro, é problema crônico do ser humano.

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  12. Fala xara, fico triste em saber que não podemos ter essas facilidades em nossa cidade por causa de vandalos, falta educação para nosso povo, carater que vem do exemplo familiar, saber que mesmo que esteja perdido pertence a alguém, e que achado é roubado sim, pois aquilo tem dono, e acima de tudo falta Deus para nossa sociedade, passei pelas drogras e pelo crime e só pude ser salvo por Jesus que me tirou das trevas e me trouxe para sua maravilhosa luz.

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  13. Sou de Curitiba e moro na Argentina, aqui temos esse sistema de bicicletas (não é da empresa yellow, mas do governo argentino), eles disponibilizam bicicletas gratuitas para qualquer pessoa por 1 hora, nesse tempo pode disfrutar a vontade, mas em uma hora leva em uma estação de serviço, espera cinco minutos e pode retirar outra, se caso a bicicleta tenha um defeito ou não sei, aconteça algo, chama no número que eles te dão e avisa a estação que você está que eles desativam a bicicleta para manutenção, acredito que aqui no início também deveria ter furtos e tudo mais, mas com o tempo para, hoje aqui é mais tranquilo nessa parte, já não se vê notícia disso nem nada, mas as estações são cheias de bicicletas travadas por manutenção. Bom, a ideia é muito legal, eu super apoio até porque uso muito e estou voltando pra minha linda cidade e seria simplesmente incrível poder disfrutar disso em casa. É uma pena o vandalismo mas é uma coisa que infelizmente não temos controle..

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    1. Oi Nicolli, obrigado pelo comentário. Lamentável mesmo. Chega a ser desprezível a situação. Sei que a nossa vizinha Argentina tem muitos problemas, mas a situação brasileira está completamente fora de controle.

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