Meu relacionamento ‘acidental’ com uma garota de programa

Olhando para trás de hoje, os sinais foram meio claros. Essa história aconteceu no fim de 2012, perto do meu aniversário de 20 anos. Na época eu frequentava e dava muitas festas, somente para ficar correndo atrás de mulher. Era meio obcecado com aquilo, provavelmente por ter acabado um relacionamento há pouco tempo. Talvez eu estivesse tentando provar algo para mim mesmo.

Meio do nada, eu me aproximei de uma garota. Ela era bastante legal comigo, tinha feições indígenas e era bastante bonita. Acabei a convidando para a festa, mas fiquei tão louco durante que acabei não dando tanta atenção para ela quanto eu pretendia. Dias depois, acabamos ficando juntos. Nada de especial, apenas comida congelada e uma garrafa de vodca. Era um feriado e nenhum de nós tinha muita coisa para fazer, então simplesmente ficamos na cama o tempo inteiro, jogando conversa fora e fazendo aquilo que queríamos fazer.

Não chegamos a ter um relacionamento no sentido ‘namoro’, mas eu me dava muito bem com ela. Na época eu vivia em uma cidade pequena e tinha muita fofoca. Tinha esse cara que começou a espalhar para todo mundo que essa garota era uma ‘acompanhante’ e que fazia programas de vez em quando. Ela mesma me contou dessa boataria antes mesmo de nosso primeiro beijo e eu não dei muita importância. “Deixe que falem” – eu disse.

Também não chegamos a ter nada frequente, possivelmente por culpa minha, já que eu estava tão obcecado com a minha vida de solteiro que não sobrava espaço para nada ou ninguém ficar próximo de verdade. Mesmo quando estávamos separados, a fofoca sobre ela continuava. Eu inclusive entrei em uma discussão com o cara que começou os boatos numa noite de bebedeira e ele jurou que ela era uma garota de programa. “Você não deveria sair por aí espalhando mentiras” – eu disse.

Os meses continuaram passando. Num belo dia eu acabei descobrindo que no fim das contas a história era verdadeira: ela realmente trabalhava com aquilo de vez em quando. Nunca cheguei a conversar com ela sobre, mesmo que tenhamos nos envolvido mais uma vez naquele meio tempo. Decidi que não era da minha conta e ela claramente não queria falar sobre isso. Ela chegou a falar sobre o assunto para minha melhor amiga, descrevendo algumas das horríveis experiências em trabalhar com sexo, mas nunca comigo.

Eu acabei mudando para outra cidade e ela também. Poucas vezes conversamos sobre qualquer outra coisa, não pelo que ela poderia ter feito, mas sim porque as pessoas simplesmente acabam se afastando. Mesmo assim, eu me peguei algumas vezes meditando sobre o ocorrido: nunca me arrependi de ter acreditado nela e nem de nada que tenhamos feito juntos. Tentei me colocar no lugar dela, sem julgá-la, e deixando ela acreditar que eu nunca soube de nada. Era uma situação que cabia a ela e somente a ela.

Então no fim das contas, a minha ‘história de amor’ com uma garota de programa nunca chegou a ser uma história de amor com uma garota de programa. Nunca precisei pagar nada para ela e ela nunca me pediu nada. Nunca a vi, mesmo depois que soube da verdade, como uma garota de programa. Se ela não queria se ver assim, eu tampouco tinha o direito de enxergá-la daquele jeito. Comigo, ela foi apenas uma ‘mulher normal’. No fundo eu queria que ela tivesse confiado em mim e me contado a respeito do que ela fazia, mas temos sempre que respeitar a privacidade das pessoas e os seus segredos. Quem de nós não tem um segredinho sujo na vida, não é mesmo?

O que realmente importava era que ela realmente era uma boa pessoa. Feminina, um pouco tímida e quando você falava com ela descobria que ela era bem mais inteligente do que parecia. Tinha espírito, algo raro para os dias daquela época e ainda mais raro para os dias de hoje. Espero que os maus tempos e as fofocas não tenham derrubado seu espírito.

Talvez se eu fosse um pouco mais imaturo (e na época eu era um bocado imaturo) eu teria me importado mais com tudo que se passou. Mas, quando a história chegou ao seu inevitável fim, eu me senti verdadeiramente agraciado por ter passado um tempo com ela. Acho que ela me ajudou um pouco a melhorar como ser humano, a julgar menos as pessoas e suas escolhas e obrigações.

Creio que a experiência teria sido ruim se eu não tivesse ficado ao lado dela. Não importa se as fofocas acabavam sendo verdadeiras, elas não me diziam respeito. E eu tinha a obrigação de acreditar nela. Não me arrependo de tê-lo feito! No fim das contas, se ela não se definia como uma ‘garota de programa’, ela não poderia ser uma.

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