Como ser atropelado por um ônibus me ajudou a parar de me preocupar e começar a viver

“De vez em quando você precisa de uma uma boa queda para saber onde você está”, dizia Hayley Williams. Mas antes de mais nada, um pequeno aviso: esse não é um post original. Achei a história interessante e resolvi traduzir e fazer uma adaptação por aqui. O texto original é intitulado “How Getting Hit by a Bus Taught Me to Stop Worrying and Start Living” e foi publicado no site TinyBuddha. Se você preferir ler o original (em inglês e mais longo) vou deixar o link ao fim do post.

Vamos lá:

Quão frequentemente você aprecia o prazer de respirar profundamente? Você já parou de se preocupar com o que o mundo pode fazer com você e, ao invés disso, focou no que você pode fazer pelo mundo? Você já apreciou sua vida ativamente, como uma parte de sua rotina?

As chances não estão do seu lado e eu certamente não fiz nada disso, antes de que as coisas fossem quase tiradas de mim. Andava de bicicleta em Nova Iorque desde que era criança. Quando perambulava pela cidade costumava pensar em mim mesmo como um atleta, sobretudo pelo fato de que a cidade começou a ficar mais segura para os ciclistas.

Foi durante essa “modernização” que eu fui atropelado por um ônibus. Em 2009 eu ia e voltava do trabalho de bicicleta, semana por semana e dia após dia, usando as ciclovias sempre que possível. Nas noites, a história era diferente e eu evitava certas ruas, pois existiam muitos ciclistas que usavam o lado errado da ciclovia, aumentando as chances de acidentes.

Tudo estava bem: a temperatura estava confortável e o trânsito não estava tão intenso. Conduzia minha bicicleta pelos lugares que passava quando criança e passei por uma viatura policial. Foi quando eu fui atingido. Era uma sexta-feira.

O motorista parecia estar com pressa e eu acabei ficando no caminho. Quando ele perdeu o controle e atingiu um carro, a parte lateral do ônibus atingiu meu ombro e começou a esmagar minha bicicleta. Tentei me movimentar do jeito correto, mas não tive sucesso. Eu parecia lançado por uma catapulta no ar, sendo protegido apenas pelos mais básicos dos instintos. Eu tinha estudado artes marciais japonesas que me ensinaram o jeito certo de cair, então protegi meu queixo e pescoço para que eles não se arrebentassem no impacto. Foi tudo o que eu pude fazer.

O motorista não parou. A viatura imediatamente começou a persegui-lo quando eu fui atingido, o capturando algumas quadras depois. Quando retornaram, os policiais ficaram surpresos pelo fato de eu não estar morto, uma vez que eles viam esse tipo de coisa de vez em quando. Quando estava no hospital, uma enfermeira me perguntou “Como você está se sentindo e eu simplesmente respondi “Como se eu tivesse sido atropelado por um ônibus”.

Eu era um recém-desempregado e terrivelmente machucado fisicamente, o que fazia com que eu me forçasse a refletir sobre a vida. Eu estava feliz? Deveria eu ter perseguido uma carreira que me deixou miserável? E se eu tivesse passado dos limites, de vez em quando? E se? E se?

Descobri que olhar a morte nos olhos é uma experiência transformadora.

Isso me ajudou a esclarecer as coisas, a perceber coisas que antes passavam despercebidas. Me fez questionar, quando eu fazia uma coisa ou outra: “Isso vale a pena? Qual o sentido disso?”. Confie em mim: essa questão se torna mais fácil de responder após uma experiência de quase morte. Pra começar, eu sabia que amava minha esposa e que era recíproco. Nosso relacionamento se fortaleceu a partir das minhas feridas e eu realmente passei a apreciá-la mais com o passar dos dias. Ela se tornou um quebra-cabeças perfeito para a ocasião. Isso devido ao fato de que compreendi que encontrar uma pessoa específica, namorá-la e me casar com ela em um mundo tão populoso, era uma coisa especial.

Sobre minha carreira, questionei se ela me definia como pessoa. Percebi que odiava aquele emprego que eu tinha perdido recentemente. Então comecei a explorar outras possibilidades. Não encontrei apenas uma, mas várias e então estava imediatamente feliz, vendo a profissão como uma aliada e não mais como uma inimiga.

Cheguei inclusive a entrar em contato com meus pais regularmente. Quando não estava trabalhando, dava toda a atenção do mundo aos meus familiares, incluindo, é claro, meus filhos. Passei a olhar para a mãe natureza de um jeito diferente, de um jeito estranho no qual me senti parte dela. E mesmo quando a vida me manteve ocupado, eu tentei checar meus amigos de infância de vez em quando. Eu também passei menos tempo me preocupando com quem deveria ser e mais tempo focando em quem eu queria ser.

Eu tinha muitos scripts para a vida, roteiros que eu seguia. Em nenhum deles, eu era atropelado por um ônibus. Lhe faz pensar sobre como a vida não tem roteiro, certo? Então para onde esse inesperado script me levou? Todas as mudanças que eu mencionei foram ajustes feitos em um momento onde tentei deixar a vida nos eixos, um lembrete de que estou vivo. Meu novo script passou a ser sobre me preocupar menos. Geralmente nos preocupamos pelas coisas que não podemos controlar e isso é um problema que nos afeta. E na maior parte das vezes, as coisas com as quais nos preocupamos nem se materializam na vida.

Anos atrás, me preocupava com a possibilidade de ser demitido do meu emprego (sim, aquele que eu odiava). Meu medo se transformou quase em uma premonição (e se concretizou), mas eu também percebi que a preocupação não impediu de acontecer. E no fim, foi a melhor coisa que já me aconteceu. Então, qual o motivo pelo qual passamos nossa vida inteira nos preocupando?

A vida é curta demais pra isso!

Texto original no site TinyBuddha, por Jay Liew, clicando aqui.

O texto foi traduzido e adaptado quase instantaneamente, por isso peço perdão por eventuais erros na redação.

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