Vi uma foto sua (e descobri que não sinto mais nada)

Oi. Vi uma foto sua um dia desses, até esqueci de pensar sobre ela, sobre você. Não senti nada e por alguns momentos pensei que havia algo de errado comigo, como se eu tivesse levantado com o pé errado da cama ou algo assim. Logo descobri que eu não deveria sentir nada. O tempo passou, não passou?

E era assim que deveria ser, exatamente assim. Todo aquele papo de destino, todo aquele papo de “pra sempre” não dura pra sempre. E eu fiquei feliz em não sentir nada. Apenas desejei que você estivesse bem, que estivesse feliz. Essa é uma das peças que a vida nos prega! Eu diria que a vida tantas vezes nos aproximou e afastou em um passado que parece cada vez mais distante, mas eu não a culparia: fomos nós quem nos aproximamos e nos afastamos recorrentemente. E, um dia, nos afastamos sem ter a intenção de nos aproximarmos de novo.

E tudo se resume àquela foto sua que eu vi. Era só uma foto, de alguém que um dia eu conheci. Um bocado de coisa se passou por aqui. E por aí? Dois pontinhos pequenos no universo que um dia se encontraram e n’outro se desencontraram, quase sem querer, mas como se fosse de propósito. Olhei para a tua foto e me lembrei de tudo! Mas eu não senti os fantasmas do passado repousando sobre meu ombro.

Eu tive que te deixar ir e na verdade faz algum tempo. Num dia enfrentamos tudo um pelo outro. No outro dia, é mais fácil deixar pra lá. E tudo acontece naturalmente. A dor do dia seguinte em que partimos para sempre em outras direções não existe mais. E tanto tempo se passou… Tempo o suficiente para que aquelas pessoas de outrora deixassem de existir. Vejo um amor do passado, de um passado tão distante. É como uma laranja que foi exprimida tantas vezes que já não oferece mais suco. Uma lata de refrigerante vazia. Um maço de cigarros acabado.

Nosso legado então se resume ao passado, e está tudo bem. Sinto-me feliz por ter estado em algum lugar no passado, com você. Me sinto feliz que tenha ficado no passado. Vi uma foto sua e gostei de te ver, mas não levarei tua foto comigo, nem a guardarei no meu coração. Eram outros tempos, outras vidas. De lá pra cá, nossos corações apanharam bastante, se tornaram fortes. Se tornaram, acima de tudo, independentes um do outro. Faz tempo, não faz? E eu sinto um bocado de orgulho do meu coração independente, capaz de amar de novo.

Vi uma foto sua e não senti mais nada. Não sai mais suco daquela laranja e isso é uma coisa boa. Creio que a esprememos enquanto ainda havia suco ali. E era um suco dos bons, nem tão doce, nem tão cítrico. Do jeito que gostávamos. E lançamos o bagaço da laranja para os céus, permitindo que ele um dia alcance solo fértil. O amor do mundo não depende da gente; nossos amores de hoje, sim. E estamos tão distantes.

Vi uma foto tua e não te reconheci.

Você não é a mesma pessoa. Nem eu sou.

Nos perdemos no nosso próprio personagem.

Nos tornamos, enfim, nós mesmos.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s