Pouco antes da morte do namorado, ela pediu que ele trouxesse alguma “prova” se houvesse vida após a morte: isso é o que aconteceu

Eu ouvi essa história muito interessante um dia desses e é minha obrigação moral conta-la aqui, quer vocês acreditem, quer não. Quem me contou a história foi uma colega, vamos chama-la de “X”. X tinha um relacionamento com um cara (o qual vamos chamar de Y) durante o colegial e eles se apaixonaram instantaneamente, acreditando que o amor juvenil dura pra sempre, como todos nós um dia acreditamos.

O relacionamento já durava cerca de 8 meses em 2004, até que ele descobriu que tinha um tumor maligno no cérebro, inoperável. Enquanto Y não ligava muito para a religião (ele era um ateu convicto), X se considerava espiritualizada e seguia algumas doutrinas religiosas importadas do Oriente.

X não queria acreditar que o namorado poderia morrer, então ela ficou tentando convencer a si mesma de que tudo daria certo. Y lhe assegurou que não adiantava tapar o sol com a peneira e que ele estaria morto entre 11 a 14 meses, talvez até antes. X foi vencida pelo cansaço e então simplesmente “aceitou” e tomou como um fato que Y morreria não muito longe dali.

E foi ali que eles tiveram o que X considera até hoje a conversa mais importante da sua vida. Ela achava que era injusto que Y, no auge da sua juventude e com apenas 14 anos, simplesmente fosse acometido com uma doença que certamente o mataria, mas o que mais chamava a atenção dela era que Y se mostrava bastante tranquilo com aquilo.

Ela achou que ele talvez estivesse se aproximando da religião (os pais eram católicos fervorosos), mas não era nada disso. Quando ela perguntou se ele tinha buscado algum conforto espiritual, ele simplesmente respondeu:

-Naaa, merdas acontecem…. – com um grande sorriso no rosto.

-Como você pode estar tão tranquilo com isso? Com o fato de que sua vida está sendo roubada tão cedo? Sabendo que, para você, tudo acaba no dia em que seu coração parar de bater? – X indagou.

Mas Y simplesmente respondeu:

-Acontece. A única coisa que lamento é lhe deixar aqui e saber o que minha morte vai fazer de mal para os meus pais. Mas sim, tudo acaba aqui quando meu coração parar de bater. Não existe esse negócio de céu, paraíso ou reencarnação.

-Eu aposto que você está errado… – respondeu X, já em lágrimas.

-Sobre o quê?

-Vida após a morte. Aposto que as coisas não terminam assim para você.

-Tudo bem, aceito a aposta.

-Como?

-Sua aposta sobre a vida após a morte. Eu aceito. O que acontece se eu ganhar?

E nisso os dois acabaram apostando apenas uma moeda de R$ 1,00 e minha amiga X me jura que essa também foi a aposta mais importante que ela já fez. Eles decidiram que só havia um jeito de provar se havia vida após a morte ou não: quando Y morresse, há alguns meses dali, ele deveria lhe mandar um sinal, alguma coisa que somente os dois soubessem.

Ela se lembrou então do dia em que eles deram o primeiro beijo, nos fundos da escola, quando descobriram que havia uma pequena família de corujas-buraqueiras, as quais se abrigaram em um buraco no chão que provavelmente tinha sido feito por outro animal. Então X fez com que Y prometesse que, se houvesse vida após a morte, ele deveria mandar uma coruja até ela durante o seu funeral. Gargalhando, Y continuou cético e aceitou a aposta.

X e Y ficaram juntos até a morte do rapaz, em 2005. E alguns dias depois, ocorreu o funeral. Enquanto estava lá, embora cheira de lágrimas e de luto, X procurava em todo canto por alguma coruja-buraqueira, mas não encontrava nenhuma. Tudo o que havia no cemitério eram pessoas tristes com a morte do rapaz, tanto de sua família quanto pessoas de uma cidade pequena que simplesmente lamentavam que Y tinha partido tão jovem.

Ela não sabia o que dizer no funeral, então delicadamente negou o pedido da mãe de Y para pronunciar suas “últimas palavras” sobre Y. Uma porção de gente falou sobre Y e a coruja não apareceu. Logo, ele estava enterrado e as pessoas começaram a ir embora. Depois do funeral, ela foi até a casa de X, sendo consolada (e ao mesmo tempo consolando) os seus familiares.

Sentiu-se triste não por perder a aposta e nem por ter perdido naquele momento parte de sua fé, mas sim por compreender que a vida de Y tinha acabado, de um modo quase repentino e para sempre. Ele não voltaria, nunca.

Quando voltou para casa, encontrou seu pai e sua mãe gargalhando. Ela perguntou o que houve assim que chegou, mas eles simplesmente mudaram de assunto e também passaram a consolar a filha. Algumas horas depois, ela se trancou no quarto, olhando para uma árvore que ficava em sua janela e ainda contando com a remota possibilidade de que Y poderia ter se atrasado ao mandar a coruja para ela.

Mas a coruja nunca veio, o que continuou doendo dentro dela até o ano de 2016.  Os pais de X já estavam divorciados, mas mantinham um bom relacionamento. X foi morar com a mãe em outra cidade, mas eles se reuniram naquele ano no natal. Durante a conversa, lembraram-se de Y e do namoro juvenil, ainda se lamentando pelo fato de que o “bom rapaz” tinha morrido tão jovem. E então ela ouviu as palavras que mudaram sua vida para sempre. O pai bateu com o cotovelo na mãe e disse:

-Pelo menos não tivemos mais problemas com corujas.

Ambos gargalharam, mas a atenção de X imediatamente ficou presa naquela fala. Ela queria saber qual problema com corujas eles tiveram e o que aquilo tinha a ver com a morte de Y.

Então, os pais contaram…

Enquanto X estava na casa da família de Y após o funeral, os pais encontraram uma coruja dentro da casa, voando de um lado para o outro como se estivesse perdida. Os pais não sabiam de onde a coruja havia vindo, até que encontraram a janela do         quarto de X aberta. Eles contaram então que tentaram por horas retirar a coruja de dentro da casa, sem sucesso. Um pouco antes de X voltar para casa, no entanto, o pai conseguiu capturar a coruja e a jogou no céu, fazendo com que ela voltasse para longe.

No dia em que X voltou para casa após o funeral, era por isso que os pais gargalhavam: eles tinham passado as últimas duas horas e meia tentando se livrar do bichinho, que parecia simplesmente que desejava se mudar para ali. De qualquer forma, eles venceram e a coruja acabou indo para longe e nunca mais voltou.

X não contou a história da aposta que fizera com Y para os pais, mas naquele instante sentiu-se aliviada por dentro. E soube, enfim, que a história do amado não terminara há mais de dez anos atrás. A vida dela mudou para sempre e ela foi visitar o túmulo de Y na manhã seguinte. Perto do túmulo de Y ela encontrou uma moeda antiga de R$ 1,00 – o que para ela significava que a história que seus pais contaram não poderia ser uma mera consciência: ela havia ganhado. Y vivia, de alguma forma. A moeda de R$ 1,00 se tornou seu “amuleto da sorte” e ela não vai a lugar algum sem ele. Em 2018, ela conheceu um novo rapaz e se apaixonou por ele, mas nunca se esqueceu de Y.

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