Não tenha pressa pra “seguir em frente”

Quando passamos por um evento traumático (independentemente do nível do trauma), nosso instinto de preservação social é querer demonstrar que aquilo que aconteceu não nos abala, não nos afeta. Queremos demonstrar que não podemos ser machucados, que somos inatingíveis, quase sobre-humanos. Por vezes, permitimos o nosso sofrimento por um curto período de tempo e depois passamos a fingir que está tudo bem, que “seguimos em frente”.

Queremos demonstrar que já “seguimos em frente” pois isso nos torna mais fortes, ao menos aos olhos dos outros. Temos uma verdadeira pressa para seguir em frente, aparentemente abdicando de nossas dores, como se a dor não fosse algo fundamental da existência humana. E nisso, acabamos nos perdendo um pouco.

Eu passei por alguns eventos traumáticos na vida e sempre tive esses impulsos. Achava que não poderia dar qualquer sinal de fraqueza e que eu poderia simplesmente “seguir em frente” sem deixar que as coisas me afetassem. E foi nessas vezes que eu fiquei completamente estagnado, apenas fingindo seguir em frente, quando na verdade eu estava parado em algum daqueles pontos cegos da vida.

O que eu aprendi é que não podemos ter pressa para seguirmos em frente, pois quando tentamos seguir em frente com pressa, não conseguimos sair do mesmo lugar. E a grande lição que ficou (ao menos para mim) é que não podemos pular etapas: de vez em quando, precisamos sofrer um pouco; quando fingimos que somos inatingíveis, acabamos deixando o nosso sofrimento escondido dentro de nós. Você pensa que o sofrimento pode ser afogado em uma banheira de água rasa? Certamente não. Se você tentar afogá-lo, ele voltará quando você menos esperar.

Sim, eu aposto que você está com uma pressa tremenda para “seguir em frente”, deixando algo que te incomoda para trás. E você pode até fazer isso, mas será inteiramente artificial. Qual o problema de tirar um tempo para si mesmo, enquanto você pensa sobre o que você passou? É nesse momento de reflexão que você consegue ter mais informações sobre o que você viveu, sobre quem você é e sobre como um determinado acontecimento pode ter lhe mudado por dentro.

Quando você tem pressa para seguir em frente, você leva uma espécie de bagagem consigo. Se você teve um trauma com um relacionamento e você não processa as informações, você acaba levando esse trauma para os próximos relacionamentos. É a lei da vida, não há atalhos para lidarmos com nós mesmos.

Na próxima vez que você sentir o ímpeto de seguir em frente, se coloque em primeiro lugar. Esqueça o que as pessoas vão pensar: elas tem seus próprios medos e dores para lidarem. Tire um tempo para você, reflita. Talvez demore mais do que você desejaria, mas é um processo fundamental. Não tenha pressa. Daí, quando você estiver pronto (a), quando você estiver verdadeiramente pronto (a), você enfim será capaz de seguir em frente. E será a transição para o melhor dos mundos; para o melhor de você mesmo (a).

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