Setembro Amarelo: o que estamos fazendo e o que estamos deixando de fazer?

Ah, sim. Chegamos no maravilhoso mês de setembro, onde as redes sociais se enchem de campanhas em prol do Setembro Amarelo. A intenção não poderia ser melhor: basicamente, desde 2015, o mês de setembro foi escolhido em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) como o mês da prevenção ao suicídio (o dia 10 de setembro é o Dia Mundial da prevenção ao suicídio).

De lá para cá, em todos os anos o mês de setembro é inundado por uma série de campanhas relacionadas à prevenção do suicídio e isso é extremamente importante, pois é uma época onde as pessoas dão um pouco mais de atenção para as questões relacionadas ao ato de se tirar a própria vida, como a depressão e as crises de ansiedade. O slogan ‘Falar é a melhor solução‘ é um exemplo disso. Mas calma lá, viu?

Nem tudo são flores na campanha. Todo esse negócio de ‘meu inbox está disponível pra quem precisar’ é muito legal e tudo o mais… mas é indispensável compreender o seguinte: SE VOCÊ NÃO É UM PROFISSIONAL DA SAÚDE MENTAL, NÃO OFEREÇA TRATAMENTO.  É claro que é algo bom quando você oferece um ombro pra alguém desabafar e até chorar e também é algo bom quando você dá um conselho positivo para alguém.

É justamente por isso que disse esses dias: “meu inbox não está disponível para o setembro amarelo”. Imagine eu, que embora goste de estudar assuntos relacionados à saúde mental nunca estudei a fundo e não tenho qualquer formação técnica sobre o tópico, aconselhando uma pessoa que pouco conheço que está pensando em se suicidar. Você consegue compreender a gravidade disso? Alguém que sequer sabe do que está falando e não conhece os procedimentos e intervenções necessárias simplesmente ‘aconselhando’ um suicida em potencial. 

Como disse, o setembro amarelo é legal pra caramba. Os profissionais da CVV contam inclusive com uma linha pra quem quer conversar (pelo telefone: 188 ou pelo chat clicando aqui online clicando aqui) e eu creio que os voluntários realmente devam fazer um bom trabalho nesse sentido. Mas de nenhuma forma apenas “falar resolve”. É necessário procurar um profissional da saúde mental.

Agora, você que está passando por problemas relacionados ao assunto, deve estar se perguntando: “Anderson, mas eu não estou louco nem nada do tipo… não acho que eu precise de ajuda, só quero conversar”. É óbvio que eu não posso obrigar você a conversar com um profissional, mas eu posso sugerir fortemente que você o faça. Procurar um profissional da saúde mental não significa que você está endoidando e muito menos que alguém vai lhe colocar em um ambiente manicomial e jogar a chave fora. Um profissional da saúde mental é alguém que estudou para lhe ajudar na situação que você está passando. Ele sabe mais do que eu, do que seu melhor amigo, do que sua mãe. Se você quer realmente conversar, que tal bater um papinho com um profissional da saúde mental?

Eu nem vou falar sobre as pessoas que viram os padroeiros da depressão e do suicídio nas redes sociais nesse texto. Só quero aproveitá-lo para lhe dizer que existe um caminho que vai além de conversar. Admitir que você precisa de amparo profissional pode não ser uma coisa fácil, mas você realmente deveria considerar. Isso não significa que você não deva falar com um amigo, nem nada do tipo. Pelo contrário: faça as duas coisas.

Falar é importante. Uma parte importante da solução. Uma ou outra conversa isolada não resolverá o seu problema.

Boa sorte e permaneça vivo(a).

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s